Por Thiago Ribeiro

Análise Proponente

 

Conheci um projeto que parece bem legal, mas não conheço os proponentes. Será que eles vão entregar o prometido? Posso confiar nesse pessoal? Meu dinheiro vai ser bem gasto?

No primeiro post da série desenhamos um esqueleto analítico baseado em 4 variáveis que juntas poderiam, em nossa avaliação, determinar o sucesso ou o insucesso de uma campanha de Crowdfunding levada a cabo por uma organização. São elas: 1) PROPONENTE; 2) PROJETO; 3) PODER; e 4) PLANO – Os 4Ps do CROWDFUNDING.

Nesse post nos deteremos na análise do proponente, especialmente nos pontos em que julgamos afetar mais sua capacidade de captar recursos nesse modelo.

Obviamente, não é possível isolar exatamente os fatores que levariam ao sucesso uma tentativa de viabilização de recursos por meio do financiamento coletivo e, sendo assim, é plausível que algumas experiências se viabilizem sem exatamente cumprirem o que julgamos necessário aqui na análise isolada do proponente.

Nossa ideia é dar algumas indicações daquilo que avaliamos como sendo importante e aquilo que deve ser mais bem cuidado dentro das organizações. Nesse sentido, selecionamos a CREDIBILIDADE e a IMAGEM INSTITUCIONAL como determinantes do ponto de vista do Crowdfunding, pois entendemos que para as pessoas direcionarem seu dinheiro, mesmo que pouco, ambas serão relevantes para essa decisão.

Aparentemente falamos da mesma coisa, mas devemos considera-las como duas variáveis distintas. O ideal seria que ambas se desenvolvessem lado a lado, mas, na maioria dos casos, não estão no mesmo patamar. Em comum, compartilham a dependência da trajetória percorrida pela instituição, ou da trajetória percorrida por seus membros fundadores.

O que vai diferenciar as duas é a forma como são construídas. Veja, a credibilidade pode ser comprovada por meio de documentos (ações documentadas, certidões negativas, relatórios de prestação de contas entregues, etc.), e não depende diretamente de percepção pública anterior. De modo geral, está relacionada aos valores éticos e à capacidade de gestão da organização, pois implicam na boa execução dos projetos, no uso correto dos recursos, tanto na sua alocação, quanto em sua forma, e nos resultados alcançados através deles.

Essas conquistas e avaliações positivas dependerão, para além dos valores éticos de seus dirigentes, da capacidade de execução da equipe disponível, do conhecimento e da experiência acumuladas, da organização administrativa, entre outras variáveis que podemos relacionar à capacidade técnica do proponente.

No caso da imagem institucional, podemos dizer que depende de todos esses fatores aos quais se soma o interesse despertado nas pessoas pela causa defendida e a capacidade de comunicação da organização.

O primeiro ponto, embora controverso, deve ser considerado com muita atenção, especialmente quando se trata da captação privada de recursos. Nem todas as causas despertam empatia nas pessoas e algumas, embora raras, podem até ser consideradas inadequadas por uma parcela da sociedade, ou por grupos isolados.

Não vale aqui um esforço para exemplificar, uma vez que entendemos que aqueles cujo trabalho esteja associado a uma dessas causas, tem plena consciência disso e consegue avaliar essas restrições com alguma facilidade.

Podemos relacionar também, ainda nesse mesmo sentido, a abrangência territorial das atividades e o público beneficiado. Quanto maior a abrangência territorial e maior o público beneficiado pela organização, maiores são as oportunidades para a construção de uma imagem institucional com alcance de massa.

Para a construção de uma imagem institucional sólida é preciso uma estratégia de comunicação bem articulada e em sintonia com os interesses da organização e do seu público, tanto beneficiário, quanto apoiador.

É importante frisar que, em nossa opinião, um dos benefícios do Crowdfunding, conforme ele vá se difundindo, será a de mitigar essa dificuldade através da facilidade em acessarmos exatamente o perfil de pessoas que se interessariam por causas e temas com baixa penetração no conjunto da sociedade (efeito da “cauda longa”).

Nesses casos, é preciso desenvolver uma estratégia de comunicação muito eficiente e bem direcionada, com premissas no conhecimento das pessoas, onde se encontram e no estabelecimento de canais eficientes para se comunicar com elas.

Podemos então falar de credibilidade e imagem institucional dirigida. Mesmo que poucos conheçam, ou se interessem pelo trabalho da organização, ele é bem feito e sua comunicação atinge essas pessoas. Isso, em tese, poderia anular os vetores mais desfavoráveis ao Crowdfunding, dependendo do engajamento e da capacidade financeira dessa base.

Para reflexão:

1) Credibilidade é premissa para a construção da imagem institucional;

2) Apesar de uma causa menos universal não ser determinante para o insucesso da captação, poderá restringir seu alcance especialmente se faltar conhecimento de quem são e onde estão as pessoas que poderiam apoiar o projeto;

3) Tanto a credibilidade, quanto a imagem institucional dependem da trajetória da organização ou de seus dirigentes;

4) Quanto menor a experiência da organização, maior sua dependência no engajamento de sua rede para o convencimento de outros apoiadores; e

5) O cumprimento dessas variáveis isoladas não são suficientes para determinar o sucesso da empreitada.

 

 

Comentários

  1. Mariana disse:

    Pessoal:

    Acredito ainda ser super importante fazer uma pesquisa bem respaldada a respeito da pessoa jurídica proponente, para ver se tem ações, dívidas, e se isso pode comprometer não só a empresa, mas o projeto também.
    Além disso, o tema precisa ser de interesse das instituições, já que elas às vezes não podem atrelar sua marca a determinados assuntos ou plataformas.
    São reflexões…

    Abs,
    Mariana

    1. Olá Mariana,

      Primeiramente, obrigado pela contribuição!
      O proponente deverá apresentar um conjunto de documentos que comprovem sua regularidade e todas as certidões negativas para que seja aprovado na plataforma.
      Além disso, fazemos uma pesquisa sobre trabalhos anteriores e, se possível, conversamos com pessoas que tenham conhecimento prévio dos envolvidos.

      Atenciosamente,

      Thiago Ribeiro.

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