Por Thiago Ribeiro

Análise Projeto

Conheci uma ONG bem legal, com um projeto bacana e, se eu apoiar, ainda vou ganhar um livro que conta sua história!! A ONG é conhecida, mas o projeto que eles estão buscando financiamento é meio confuso e não entendi bem os resultados que eles esperam atingir?!

No primeiro post da série desenhamos um esqueleto analítico baseado em 4 variáveis que juntas poderiam, em nossa avaliação, determinar o sucesso ou o insucesso de uma campanha de Crowdfunding levada a cabo por uma organização. São elas: 1) PROPONENTE;2) PROJETO; 3) PODER; e 4) PLANO – Os 4Ps do CROWDFUNDING.

Nesse post nos deteremos na análise do projeto,especialmente nos pontos em que julgamos afetar mais sua capacidade de captar recursosnesse modelo.

Como já alertamos, não é possível isolar exatamente os fatores que levariam ao sucesso uma tentativa de viabilização de recursos por meio do financiamento coletivo e, sendo assim, é plausível que algumas experiências se viabilizem sem exatamente cumprirem o que julgamos necessário aqui na análise isolada do projeto.

Para analisar um projeto para captação de recursos no modelo do Crowdfunding Social, é preciso observar os 3 pontos fundamentais (adaptados da metodologia do Design Thinking), quais sejam:

1) Viabilidade– financeiramente possíveis (para a organização e para os limites dessa modalidade de captação);

2) Factibilidade–tecnicamente críveis de serem transformados em realidade; e

3) Desejabilidade–criem desejo nos usuários e também nos apoiadores.

Na questão da viabilidade é preciso observar 3 pontos chave: a) orçamentação correta e bem feita (explicitada para os apoiadores); b) adequação do montante a ser captado à realidade do crowdfunding social hoje, tanto geral (quanto maior o valor, mais difícil será captá-lo), quanto específica (tamanho e engajamento da rede de apoiadores da organização) e; c) custos e a logística para entregar as contrapartidas prometidas.

O segundo ponto, a factibilidade, em tese, será comprovada por experiência anterior, pela equipe executora da organização designada para a tarefa, somados a uma orçamentação precisa e uma estimativa de tempo crível (cronograma realista). Não há um corte ideal de tempo de execução do projeto, mas incentivamos que as organizações selecionem, nesse processo inicial de construção da base de apoiadores, projetos menores, com execução mais curta, especialmente se houver algum produto tangível como resultado final do projeto que servirá também como uma das contrapartidas aos apoiadores.

O terceiro ponto (desejabilidade), talvez seja o mais delicado, pois implica que o projeto deva, ao mesmo tempo, resolver um problema dos usuários (beneficiários) e, agradar aos apoiadores. Será preciso se colocar na posição do apoiador médio e não se prender apenas àqueles se interessam pela causa e a apoiaria apenas por sua natureza. É preciso ter clareza da importância de se produzir um bom vídeo, com conteúdo informativo e com apelo comercial (vender a ideia/projeto) e ser criativo para pensar em contrapartidas atraentes e desejáveis, que sejam viáveis para a organização, tanto financeiramente, quanto do ponto de vista da logística para sua efetivação.

Enfim, observando-se esses 3 pontos e tendo clareza do perfil dos apoiadores da instituição é possível encaminhar um projeto com chances de sucesso em busca de captação através do Crowdfunding.

Para reflexão:

1) Quanto menor a experiência acumulada e a rede de apoiadores de uma organização, maior a necessidade de se investir na divulgação do projeto e mais desejáveis devem ser as contrapartidas;

2) Projetos com tempo de execução menor, com valores de até R$ 40 mil parecem ter tido mais sucesso na captação;

3) Projetos cujo resultado se traduza em algum produto tangível que possa, ao final, ser entregue como contrapartida aos apoiadores, parecem ter mais apelo e mais chances de sucesso nessa modalidade de financiamento (um livro, uma exposição, um CD, etc);

4) Quando o resultado do projeto não gerar um produto tangível, pode-se pensar em materiais de divulgação da causa (camisetas, bonés, agendas, etc…), ou mesmo promover um evento cuja entrada é uma das contrapartidas propostas;

5) Ainda nesse mesmo sentido, é importante entender o que motiva sua rede à apoiar a causa de sua organização e trabalhar com esses sentimentos ao pensar tanto no vídeo, quanto nas contrapartidas aos apoiadores.

 

Comentários

  1. [...] da importância de uma boa avaliação dos 3 primeiros pilares do Crowdfunding – Proponente, Projeto e Poder, para, em seguida formular um bom plano de campanha para garantir o sucesso do [...]

  2. [...] o embalo e classifique seus possíveis apoiadores, veja quem são, onde estão, porque e com quanto apoiariam sua causa e seu [...]

  3. [...] funda em 4 pilares que articulados podem determinar o resultado de uma captação: o proponente, o projeto, o poder de mobilização e o plano de [...]

  4. [...] da importância de uma boa avaliação dos 3 primeiros pilares do Crowdfunding – Proponente, Projeto e Poder, para, em seguida formular um bom plano de campanha para garantir o sucesso do [...]

  5. [...] dessa série desenvolvemos análises sobre os 4Ps do Crowdfunding – os 3 Pilares (Proponente, Projeto, Poder) e o Plano de [...]

  6. [...] mente, parte-se para a análise dos 4Ps do Crowdfunding (3 Pilares do Crowdfunding – Proponente, Projeto e Poder), buscando entender pontos fortes e fracos que possam alavancar ou comprometer o sucesso de [...]

  7. [...] Projeto - Factibilidade; Viabilidade e Atratividade; e [...]