Por Thiago Ribeiro

Análise Poder de Captação

 

Conheço bem a rede de apoiadores e temos um trabalho ativo, com geração de conteúdo e grande presença digital. Como faço para avaliar minha capacidade para captar recursos?

No primeiro post da série desenhamos um esqueleto analítico baseado em 4 variáveis que juntas poderiam, em nossa avaliação, determinar o sucesso ou o insucesso de uma campanha de Crowdfunding levada a cabo por uma organização. São elas: 1) PROPONENTE; 2) PROJETO; 3) PODER; e 4) PLANO – Os 4Ps do CROWDFUNDING SOCIAL.

Nesse post nos deteremos na análise do poder, especialmente nos pontos em que julgamos afetar mais sua capacidade de captar recursos nesse modelo.

Como já alertamos, não é possível isolar exatamente os fatores que levariam ao sucesso uma tentativa de viabilização de recursos por meio do financiamento coletivo e, sendo assim, é plausível que algumas experiências se viabilizem sem exatamente cumprirem o que julgamos necessário aqui na análise isolada do poder.

Para analisar o poder latente de captação de recursos pelo crowdfunding temos de considerar um conjunto de variáveis que juntas podem ajudar a estimar os valores a serem financiados, bem como as faixas de contrapartida que devem ser trabalhadas no projeto.

Podemos analisar a rede constituída – que dará início ao processo de captação e mobilização – do ponto de vista quantitativo, mas também, e talvez de modo mais relevante, qualitativamente. Pensando que apenas uma fração das pessoas impactadas pelo projeto se converte em apoiadores efetivos (algo próximo de 1%), ou 10% dos que CURTEM o projeto pelo Facebook. O fator tamanho da rede é algo a ser considerado com muita atenção.

Por outro lado, o perfil da rede, em termos de idade, renda e engajamento pelo causa, podem dar indicações da capacidade viral da campanha e ajudar a estimar a velocidade de propagação, o impacto do projeto, os valores médios a serem considerados, bem como os valores acima da média no momento de distribuir as faixas de arrecadação.

Utilizemos um caso hipotético para ilustrar o raciocínio. Por exemplo, determinada organização tem em sua Fan Page 1000 seguidores, 500 no Twitter, 2.000 visitantes únicos no Blog por mês, e um mailing confiável com cerca de 500 nomes. No total, sem ponderação poderia-se falar de 4.000 apoiadores, mas será preciso fazer uma avaliação da sobreposição existente nas diversas bases antes de se fechar um número mais próximo do real.

Por intuição e, em parte por uma análise rápida das bases, estimou-se que, excetuando-se as sobreposições, a rede de seguidores é de aproximadamente 2.500 apoiadores, ou que cerca de 40% das pessoas está em mais de um cadastro.

Desses 2.500, estima-se (nesse ponto cada um deverá usar um coeficiente que julgar mais adequado) que 15% são muito engajados (375 pessoas) e que 1% (ou 25 pessoas), costuma apoiar a organização com quantias expressivas se comparados aos demais.

Pelo perfil dos apoiadores, o valor médio de R$ 50,00 é acessível para a maioria, mas há um grupo que esse valor pode ser muito elevado, de modo que é preciso pensar em valores inferiores e também superiores quando montar as faixas de apoio e as respectivas contrapartidas.

Em relação aos 25 mapeados com maior capacidade de pagamento, o mais adequado é que se faça uma conversa e se tente definir de antemão qual é a disposição deles em contribuir (quando possível) e estimem-se os valores daqueles que não foi possível negociar antecipadamente.

Supondo que o valor total do projeto seja de R$ 50 mil e que desses 25 mais próximos pode-se esperar um patrocínio de R$ 5 mil, 7 apoios de R$ 1 mil (R$ 7 mil no total) e mais 10 de R$ 500,00 (totalizando R$ 5 mil). No total, seriam captados somente com 1% dos apoiadores cerca de R$ 17 mil. Por segurança, pode-se prever que haverá uma quebra (15% nessa simulação – esse deverá ser um número pessimista) e que, desse modo, ainda sobraria algo em torno de R$ 15 mil.

Dos R$ 50 mil iniciais, descontados os R$ 15 mil já negociados, restariam R$ 35 mil que, quando divididos por R$ 50,00 (valor médio das demais contribuições) indicariam que seria necessário o apoio de mais 700 pessoas para financiar o projeto.

Sabemos que a taxa de conversão é baixa e gira em torno de 1% dos impactados, mas que os 375 engajados devem converter pelo menos 2 pessoas em média cada um. Imaginando que 1/3 dos engajados também contribua financeiramente, teremos, em tese, cerca de 880 pessoas que contribuiriam e financiariam com sobras esse projeto.

Esse foi apenas um exercício simulado que não guarda nenhuma relação estatística com a realidade (exceto a taxa de conversão que realmente é baixa em relação ao impacto) e o objetivo disso é dar uma indicação do raciocínio a ser construído antes de se lançar um projeto.

Para reflexão:

• Essa é uma atividade que envolve um bom conhecimento dos apoiadores e um relacionamento prévio estabelecido. Quanto menor a relação com os apoiadores, maior deverá ser a rede impactada pelo projeto;

• Nesse exercício consideramos apenas as pessoas online, mas como já mencionamos em outras ocasiões, é preciso considerar que parte importante dos apoiadores não será atingida pelas mídias digitais e que será preciso criatividade para mobiliza-las;

• É importante considerar que essa é a rede inicial e que a capacidade de propagação do projeto está relacionada ao tamanho da rede, ao engajamento dos apoiadores, à universalidade da causa, aos atrativos do projeto, à criatividade da estratégia de comunicação e à capacidade da organização para executá-la.

 

Comentários

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